Durasil vale a pena?
Por Roberto Oliveira · Publicado em · Atualizado em
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Este conteúdo avalia o produto como compra — entrega, reputação do vendedor, garantia e custo. Não é orientação de saúde. Consulte um profissional antes de usar qualquer suplemento.
Não. O Durasil foi proibido pela Anvisa — apreensão e proibição total em todo o território nacional, valendo desde 30 de janeiro de 2026. Isto não é uma nota baixa nem uma opinião nossa: é ilegal fabricar, distribuir, vender, anunciar ou usar o produto agora.
Este review não tem link de afiliado. Não dá para monetizar a proibição de um produto, e não tentaríamos mesmo se desse — o ponto aqui é só documentar o que a Anvisa determinou e o que fazer se você já comprou.
O que o produto prometia
O Durasil era vendido como um suplemento líquido para “performance sexual masculina”, em kits de aproximadamente R$150 a R$400, por páginas de vendas isoladas processadas via Monetizze e Braip. A promessa central, segundo o próprio texto publicitário do produto: alívio de dor, ereção mais forte e melhora da função erétil.
não vamos linkar a página de vendas — produto proibido não recebe tráfego daqui, nem de afiliado, nem de curiosidade, nem “para você conferir por si mesmo”.
Por que um produto assim chega a vender tanto antes de ser banido
Não é a primeira vez, e não vai ser a última. O padrão se repete em quase todo suplemento que acaba proibido: preço parcelado em “kit-escada” (quanto mais potes, maior o desconto por unidade — um jeito de empurrar o ticket médio para cima), páginas de vendas isoladas que não pertencem a nenhuma loja com histórico, e uma promessa específica demais para ser genérica e vaga demais para ser verificável. “Melhora a função erétil” não diz de quanto, em quanto tempo, nem comparado a quê — é a diferença entre uma alegação de medicamento (que exige comprovação) e uma alegação de suplemento (que não pode fazer esse tipo de promessa de jeito nenhum).
Some a isso o enxame de domínios “oficiais” que aparece sempre que um produto começa a vender bem — parte para tentar recuperar tráfego se um domínio for derrubado, parte de golpista puro tentando surfar o nome que já ganhou busca. O comprador não tem como saber qual é qual antes de pagar.
O que a Anvisa determinou
Em 30 de janeiro de 2026, a Anvisa publicou as Resoluções RE nº 402 e RE nº 406, determinando a apreensão e a proibição de fabricação, distribuição, comercialização, propaganda e uso do suplemento Durasil em todo o país. Na mesma ação, a agência baniu também o Glicojax (suplemento para “controle glicêmico”) — mesmo padrão, mesmo problema de fundo. Meses antes, a Anvisa já tinha banido o Diavance, outro suplemento que já analisamos aqui, pelo mesmo tipo de irregularidade: fabricante desconhecido e alegação terapêutica que suplemento não tem autorização para fazer.
Os motivos declarados pela própria Anvisa:
- Origem e fabricante desconhecidos. Não existe empresa identificável por trás do produto — o que impede qualquer fiscalização, rastreamento de lote ou responsabilização em caso de problema.
- Propaganda irregular com alegação terapêutica. Um suplemento alimentar não tem autorização para prometer “alívio de dor” ou “melhora da função erétil” — essas são alegações de medicamento, que passam por um processo de registro e comprovação completamente diferente (e que o Durasil nunca teve).
A própria Resolução-RE nº 406 (DOU nº 22, publicada 01/02/2026, Processo 25351.189834/2025-62) descreve o motivo nestes termos, citação literal: “a propaganda e comercialização de Suplemento Alimentar em gotas da marca DURASIL, no site https://www.rootbrasil.com.br/ e em plataformas eletrônicas de venda (mercadolivre.com.br e shopee.com.br) de origem desconhecida ou ignorada, com a utilização de propagandas irregulares (alegações terapêuticas e funcionais não permitidas em alimentos), tais como alívio da dor, ereção mais forte, melhora função erétil, etc.” É o próprio regulador descrevendo a irregularidade com essas palavras — não é leitura nossa.
Fonte oficial, direto do gov.br: Anvisa determina a apreensão e proibição dos suplementos Glicojax e Durasil. Dossiê público com o processo completo: consultas.anvisa.gov.br, consultado em 30/07/2026.
Na prática, “apreensão e proibição” significa que qualquer estoque físico pode ser recolhido pela vigilância sanitária onde for encontrado, e que fabricar, distribuir, vender, anunciar ou usar o produto deixa de ser uma escolha do consumidor e passa a ser infração sanitária — o mesmo tipo de enquadramento usado contra medicamento clandestino. Isso não devolve o dinheiro de quem já comprou nem muda o passado, mas muda o presente: nenhum canal legítimo pode seguir vendendo, e quem anuncia mesmo assim está descumprindo a determinação da agência.
Vale separar uma coisa da outra: a Anvisa não confirma nem desmente se o produto “funciona” — ela não avaliou eficácia, porque a irregularidade é anterior a isso. O problema não é “o Durasil não funciona”, é que ninguém sabe quem fabrica, com o quê, e a divulgação dele já era ilegal antes mesmo de qualquer discussão sobre resultado.
O que o Reclame Aqui mostra
Mesmo antes da proibição, o padrão de queixas já apontava na mesma direção. As reclamações registradas — tanto contra o produtor quanto contra a plataforma de checkout — seguem um padrão comum a esse tipo de produto: propaganda com promessa forte, ausência de resultado relatada pelo comprador, e dificuldade para conseguir reembolso direto com quem vendeu.
Há também um sinal técnico que já merecia desconfiança antes mesmo do banimento: o Detector de Site Confiável do próprio Reclame Aqui lista múltiplos domínios “oficiais” do Durasil sem qualquer verificação. Produto legítimo tem um site. Produto como este tem um enxame de clones — alguns do próprio produtor tentando escapar de bloqueio, outros de golpistas puros aproveitando a confusão.
Some as duas coisas — fabricante desconhecido e enxame de domínios não verificados — e dá para entender por que a Anvisa chegou à conclusão que chegou.
Nossa conclusão
Por que não recomendamos: a Anvisa determinou apreensão e proibição total do produto — banimento nominal, ato de regulador, que fecha a conclusão sozinho. Fabricante desconhecido e alegação terapêutica ilegal (propaganda de “melhora da função erétil” que suplemento não pode fazer) são os motivos que a própria agência declarou. Nenhum suplemento sob proibição ativa passa a ser recomendado nesta casa.
Se você já comprou
Primeiro, o mais importante: pare de usar o produto. Se sentir qualquer sintoma, procure atendimento médico — não porque este texto tenha uma opinião sobre o que o produto causa ou não causa, mas porque “fabricante desconhecido” significa que ninguém pode garantir o que está de fato na fórmula.
Sobre o dinheiro, você tem dois caminhos garantidos pelo Código de Defesa do Consumidor:
- Direito de arrependimento (art. 49): compra feita fora do estabelecimento comercial (o caso de praticamente toda venda por página de vendas na internet) pode ser desfeita em até 7 dias da compra ou do recebimento, sem precisar justificar o motivo.
- Reembolso por vício do produto (art. 18): se o prazo dos 7 dias já passou, um produto agora proibido por irregularidade sanitária é, por definição, um produto com vício — o que mantém o seu direito ao reembolso.
Na prática, o caminho mais rápido não costuma ser negociar direto com quem vendeu — o produtor por trás de um produto banido tende a simplesmente desaparecer. Funciona melhor acionar a plataforma de pagamento usada no checkout. A maior parte das vendas de Durasil passava por Monetizze ou Braip; a Monetizze em particular tem nota RA1000 no Reclame Aqui e histórico de resolver a maioria das mediações de reembolso — é o contato que vale abrir primeiro, não o vendedor.
Se você ainda encontrar o produto à venda — proibição não tira automaticamente um anúncio do ar em marketplace como Shopee ou Mercado Livre — você pode denunciar diretamente à Anvisa pelos canais oficiais de atendimento, ou procurar a Vigilância Sanitária (Visa) do seu município. A agência depende de denúncia para agir contra cada anúncio individual.
Alternativas que passaram no filtro
Esta página específica — sobre um produto proibido pela Anvisa — não leva link de afiliado, e isso não muda: misturar “aqui está o que foi banido” com “aqui está o que comprar no lugar” na mesma peça é o tipo de comportamento que este site existe para denunciar, não para repetir com marca diferente. Ainda não encontramos um suplemento desta categoria que passe pelo critério desta casa — quando encontrar (conduta comercial verificada, ausência de ato Anvisa pareada com página de vendas sem alegação terapêutica, sinal de volume real), o link entra numa peça própria daquele produto, nunca nesta. Se o que você precisa é resolver o problema que te trouxe até aqui, o caminho seguro é conversa com um médico, não um produto novo — ver a seção abaixo.
O que dá para adiantar sobre o padrão: vale ler as outras análises que já fizemos no silo suplementos — mesmo tipo de produto, mesmo tipo de irregularidade, mesmo método de verificação: Diavance (também banido pela Anvisa), Ozenvitta e Lift Detox Black (reprovados por reputação, não por banimento).
O que já dá para adiantar: qualquer suplemento que prometa resolver disfunção erétil, “curar” alguma condição ou substituir acompanhamento médico está fazendo o mesmo tipo de alegação terapêutica que derrubou o Durasil. O problema nunca foi só a marca — é o formato da promessa. Se o próximo produto da vitrine prometer a mesma coisa em palavras diferentes, o red flag é idêntico.
Perguntas frequentes
Durasil funciona?
Não dá para afirmar nem negar com base em eficácia — a Anvisa não avaliou isso, porque a irregularidade veio antes: fabricante desconhecido e propaganda terapêutica ilegal. O que se sabe com certeza é que o produto está proibido desde 30/01/2026.
Durasil é confiável?
Não. Fabricante desconhecido, proibição sanitária ativa, enxame de domínios não verificados e histórico de queixas de propaganda enganosa — nenhum desses sinais aponta para uma marca em que valha confiar.
Durasil ainda pode ser comprado?
Está proibido em todo o território nacional. Se aparecer à venda em algum marketplace, isso é uma irregularidade daquele anúncio específico — não uma autorização do produto.
Comprei antes da proibição, o que eu faço?
Pare de usar, procure um médico se sentir qualquer sintoma, e peça reembolso pela plataforma de pagamento do seu checkout (Monetizze ou Braip, na maioria dos casos) — é o caminho mais rápido, mais do que tentar falar direto com o vendedor.
Durasil é golpe?
Não usamos essa palavra sem prova de fraude intencional, e não é isso que a Anvisa determinou — a proibição é por irregularidade sanitária (fabricante desconhecido, alegação terapêutica ilegal), não por golpe comprovado. Na prática, para quem comprou, o efeito é o mesmo: dinheiro gasto num produto que não devia estar circulando.
O que dizem os depoimentos de quem comprou?
Encontramos relatos consistentes de propaganda com promessa forte seguida de ausência de resultado, e dificuldade de reembolso direto com o vendedor — descrevo isso na seção sobre o Reclame Aqui acima. Não achamos depoimento público que contradissesse esse padrão.
Durasil é bom?
Não é a pergunta certa depois da proibição — a Anvisa nunca avaliou se funciona, porque a irregularidade (fabricante desconhecido, propaganda ilegal) veio antes de qualquer discussão sobre resultado. “Bom” deixou de ser relevante quando virou proibido.
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